Como financiar sua casa

planning

Após a crise iniciada com a quebra de instituições financeiras nos Estados Unidos, muitos esperavam que mais rigor na concessão de crédito pelos bancos para financiar a compra de imóveis fosse reduzir o número de empréstimos.

Isso não ocorreu. Em fevereiro, o total emprestado a pessoas físicas subiu 32,3% emrelação a fevereiro de 2008 -dado da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

“A Caixa se manteve no mesmo nível. No ano passado financiamos R$ 23,2 bilhões. Neste, financiamos R$ 7 bilhões no primeiro trimestre”, afirma Válter Nunes, 47, superintendente regional da Caixa Econômica Federal.

Apesar do cenário incerto, especialistas afirmam que o sistema de financiamento imobiliário não deve sofrer grandes mudanças no futuro próximo.

Entretanto, alguns apontam que a tendência de queda de juros deve surtir algum efeito nas taxas praticadas pelo mercado.

“A queda da Selic fará com que os bancos passem a oferecer melhores condições, por isso vale a pena esperar o segundo semestre para comprar”, aconselha Miguel de Oliveira, 44, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Os valores dos imóveis também devem cair, avalia o economista José Roberto Mendonça de Barros, 65, diretor da MB Associados. “O custo dos materiais tem diminuído, junto com a pressão no aluguel de equipamentos e os salários. O custo da obra tende a ficar menor.”

A troca de terrenos por unidades nos empreendimentos também reduzirá preços,diz.

Uma parcela vezes quatro

Para ter um imóvel de R$ 800 mil sem queimar o patrimônio, o engenheiro Jan Mali, 59, usou as aplicações. Comprou na planta, deu 10% de entrada e pagou quatro prestações a cada mês. Assim, quitará a dívida ao pegar as chaves.

Contas para pegar a chave

Sem dinheiro para uma boa entrada, a revisora Daniela Alvares, 36, comprou, na planta, um apartamento de R$ 150 mil e parcelou em seis vezes a entrada de R$10 mil. “Terei de pagar R$25 mil ao pegar as chaves, em setembro. Mas só tenho R$20 mil no FGTS” ,diz.

Consórcio e imóveis usados estão em alta

Endividar-se durante a crise com um financiamento bancário não é prudente na opinião do planejador de finanças pessoais Fabiano Calil, 35.

“Há incerteza quanto à capacidade de geração de renda futura. É interessante aguardar até 12 meses, para ter perspectiva mais clara do que virá.”

Para evitar o financiamento, uma opção é o consórcio, em que não se pagam juros. Esse plano segue bem procurado.

“Em janeiro houve alta de 9,3% em relação ao mesmo período em 2008″, fala Luiz Fernando Savian, 59,presidente da regional SãoPaulo da Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios).

Com dinheiro em mãos, o comprador tem negociado mais com imóveis usados.

O número de lançamentos na cidade de São Paulo caiu 35% em setembro de 2008 -2.368 unidades contra 3.642 em agosto-, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio e o Secovi-SP, e também caiuemoutubro.

Em janeiro, o número de unidades novas vendidas foi 20,3% inferior ao de janeiro de 2008. “Agora, o mercado está retomando, em um nível bem mais baixo”, diz Sérgio Watanabe, 63, presidente do Sinduscon- SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). O setor espera um crescimento em 2009 comparável ao de 2006. Em fevereiro, a venda de usados na cidade de São Paulo cresceu 140%, segundo o Creci- SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), o que, de acordo com o órgão, põe o mercado no nível pré-crise.

Primeira compra requer paciência e poupança

Para quem mira o primeiro imóvel, deixar-se levar pela ansiedade e comprá-lo assim que a renda começar a crescer não é a melhor estratégia.

Na opinião de especialistas em finanças, leva vantagem quem adia a compra para acumular o máximo de capital.

“Quem está no começo da vida profissional ainda enfrentará grandes mudanças na renda e nos custos”, diz o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, 35.

Para o planejador financeiro pessoal Fabiano Calil, contrair uma dívida grande antes de ter estabilidade pode prejudicar a tomada de decisões pessoais e profissionais. “O financiamento faz com que 30% da receita do jovem vá embora ao fim do mês,o que o escraviza.”

Nessa fase, devem-se evitar prazos longos e juros acumulados, que podem prejudicar futuras aquisições. “A quitação rápida do primeiro imóvel permite que se pague a diferença para o segundo durante menos tempo, além de possibilitar que ele tenha um padrão superior”, acrescenta Ricardo Rocha, 47, professor de mercados financeiros do Ibmec São Paulo.

Enquanto mora na casa dos pais ou em imóvel alugado, o jovem deve deixar uma folga no orçamento para a poupança.

“Em vez de contrair financiamento de R$ 1.900 mensais, é preferível pagar aluguel de R$ 1.000 e guardar R$ 900 para dar entrada maior ou comprar”, sugere Caio Torralvo, 29, professor da FIA (Fundação Instituto de Administração).

FGTS vira aliado

Boas aplicações ajudam o volume a crescer. “Podem-se colocar os juros a seu favor poupando.

Depois de seis anos juntando dinheiro, faz-se uma compra que levaria 20 anos para ser financiada”, explica Calil.

Nessa fase, o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) é um aliado fundamental: pode ser sacado para pagar entrada no financiamento ou dar um lance em consórcio e dar conta de boa parcela da dívida.

No banco, a escolha do financiamento faz diferença no valor pago. Há dois tipos principais de amortização, a Tabela Price e o SAC (Sistema de Amortização Constante).

A primeira tem prestações de valor constante.

No SAC, as iniciais têm valor mais elevado do que as finais.

“Como no SAC amortiza-se mais no começo, incidem menos juros sobre o saldo devedor.

Isso é melhor que a Tabela Price”, indica Miguel de Oliveira, 44, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

No consórcio, cobram-se taxas de administração, geralmente de 18% do crédito total, seguro e fundo de reserva. Os participantes levam a carta de crédito por sorteio ou quando dão um lance superior às outras tentativas. “Como o custo tende a ser menor que o do financiamento, juntar dinheiro para um bom lance é interessante”, afirma Torralvo.

2 ideias sobre “Como financiar sua casa

  1. Eulino Azevedo Costa

    Estou passando por um momento dificilimo (DIVIDAS), mas para que eu contrate alguém que possa sair dessa, tenho que saber as reais condições tais como: valores que terei que pagar, quanto tempo levarei para recuperar e ter como aplicar esse tão soado dinheiro.
    tenho 48 anos, mulher e dois fílhos, poderei aposentar-me do serviço em tres anos aproximadamente…como já disse, devo muito, mas eu quero sair dessa. assisti vc (Calil) com cerbasi no Expomonei, mas tive que ir mais cedo. você pode me ajudar?
    por favor me responda o mais rápido possivel. obrigado Eulino.

Deixe uma resposta