Viver ou juntar dinheiro?

Esse texto enviado pelo ouvinte Sérgio, de 61 anos à Max Gehringer do Jornal da CBN Brasil, confronta uma decisão diária de todos nós: “Desfrutar o momento ou cuidar do amanhã?”

Para nos auxiliar a criar um pensamento realista dessas nossas necessidades, sugerimos a leitura do livro do economista, professor e autor Eduardo Giannetti:

“desfrutar o momento ou cuidar do amanhã? O cérebro humano é formado por circuitos modulares que não estão perfeitamente integrados. A perspectiva concreta de gratificação imediata de certas desejos ativa uma região do cérebro – o sistema límbico – que demanda pronta satisfação, sem se importar com o amanhã. Mas a impaciência de curto prazo não é tudo. O primata impulsivo que nos agita em segredo tem um adversário à altura: o córtex pré-frontal, que pondera os prós e os contras de diferentes escolhas e não se deixa levar com facilidade pela sedução do momento. Se a atração pelo prazer do momento ata-nos ao presente, os cuidados com o amanhã imaginado elevam-nos ao futuro.

No sempre renovado embate entre a impulsividade da cigarra límbica e o calculismo prudente da formiga pré-frontal, o resultado não está dado de antemão.”

Extraído do livro: “O Valor do Amanhã” de Eduardo Giannetti, Cia das letras

2 ideias sobre “Viver ou juntar dinheiro?

  1. Ricardo Gurgel M. de Siqueira

    Já tinha escutado essa matéria na rádio CBN, achei bem interessante e profunda. Agora fiquei curioso em ler este livro. Obrigado pelas sempre maravilhosas recomendações.

    Mas fica aqui também um parênteses antes mesmo de ler o livro. Essa questão do poupar ou viver, acho que sempre devemos, lembrar, observar e entender o princípio de Paretto, também conhecido como regra do 80-20. 80% das consequências advém de 20% das causas.

  2. Capovilla

    É verdade. Para que juntar dinheiro para uma velhice digna, independente e segura, não é mesmo?
    Afinal, como somos jovens, podemos nos dar ao luxo de perguntar: Quem precisaria de dignidade depois dos 61?
    Por que se preocupar, não? Afinal, a saúde pública no Brasil é tão boa quanto a da Suécia.
    E não é para isso que servem os filhos? É claro que eles não têm direito à tranquila independência! Terão obrigação de cuidar de nós, dependentes velhos e doentes, e ainda por cima, pobres. Quem se importa? Pelo menos estaremos felizes porque gastamos bem nosso dinheiro, para fazer as coisas mais importantes da vida: “Viajar, comprar roupas caras, nos esbaldar em itens supérfluos e descartáveis…”. Ora, permito-me discordar do velho Max. Infelizmente as coisas são bem mais complexas… E, dentre os itens que compõem o pacote da felicidade, para muitos, como eu, figuram itens como: preocupação para com os demais, segurança, manutenção de independência ante circunstâncias adversas (redução de mobilidade, impedimentos decorrentes de AVC, etc), paz de espírito, a confiança de ter feito a coisa certa, e de viver para além do mero epicurismo dos rasos de espírito. Não apenas nas cigarras, há sabedoria nas formigas e abelhas: um espírito gregário que tanta falta faz nesses tempos de individualismo egoista e raso espontaneísmo. Permito-me celebrar as tão fora de moda virtudes da previdência e da prudência, plenamente ciente de que um dia hão de florir de novo nas pradarias.

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