Final de ano e missão cumprida!

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Há uns 15 dias eu fiz a prova do CFP. Para quem há muito saiu da escola, posso garantir que é uma experiência nostálgica. Cadeira de braço, bedel carrancudo, caneta preta, lápis, borracha, apontador e HP. Só. O resto devidamente lacrado sob a cadeira. Isso, lacrado. Vestibular tudo outra vez. A diferença foi que desta vez eu estava calma e relaxada. Não certa de que passaria, mas segura de que tinha dado o meu melhor nos estudos.

O meu percurso entre descobrir a profissão de planejador financeiro e a prova do CFP foi de quase 3 anos. Conversando com o Fabiano sobre a Clínica Escola e vendo a quantidade de pessoas interessadas nessa profissão, resolvi contar aqui um pouco da minha experiência e o que me fez enveredar por essa profissão que ainda é pouco conhecida no Brasil e que, por isso mesmo, a meu ver, promete muito.

Tenho 37 anos, me formei em jornalismo e economia. Trabalhei alguns anos como jornalista, encerrando minha breve carreira traumatizada com a carga horária e os abusos impostos pelo sistema coorporativo. Aos 30 me mudei para a Inglaterra, onde fiquei por 5 anos trabalhando na área administrativa de uma marca de sapatos femininos. Lá eu descobri meu amor pelo Excel e o meu terror da rotina do escritório. Voltei ao Brasil com a certeza de que este é o país das oportunidades e pronta para encontrar aquilo que realmente poderia me fazer feliz profissionalmente.

De cara resolvi me dedicar aos serviços de assistência pessoal. O excesso de informação disponível e a falta de tempo fazem com que as pessoas adiem, não tomem decisões ou as tomem de maneira displicente. O problema é que muitas vezes, o que parece um assunto insignificante à primeira vista, se lidado de forma relapsa, pode se tornar uma enorme dor de cabeça. Quem nunca passou por isso?

Em pouquíssimo tempo percebi que muitas dessas decisões adiadas ou não tomadas eram de cunho financeiro. Olhando a minha volta, me dei conta de que a maioria das pessoas deixava para segundo plano algum tipo decisão que envolvesse – o que mais tarde vim a descobrir ser chamado de -, planejamento financeiro. Também me dei conta de que as pessoas que supostamente estavam ali para te ajudar, como o gerente do banco ou o vendedor de seguro, não o faziam (por não poder ou não saber como). E é claro, vivi na pele o dissabor ver parte do meu dinheiro ser abocanhado pelo carregamento de uma previdência que, mais tarde vim a perceber, em nada se adequava as minhas necessidades presentes ou futuras.

Finalmente, cheguei a conclusão de que a minha formação como economista aliada e minha mentalidade prática e objetiva me tornavam uma pessoa com boa capacidade para auxiliar as pessoas nessas decisões. Comecei aos poucos a oferecer o serviço de organização financeira e auxílio na hora da escolha de produtos. Além de racionalizar e planilhar as entradas e saídas financeiras, eu me encarregava de ler e entender as letrinhas pequenas dos seguros e produtos de investimento dos meus clientes.

Pesquisando na internet, descobri que a profissão do planejador financeiro era uma realidade pulsante nos Estados Unidos e Europa. Ou seja, logo mais o seria aqui. Para estar a frente dessa profissão que para mim parecia totalmente promissora resolvi então ir atrás de mais conhecimento técnico. Um belo dia dei de cara com o anúncio de uma pós em Finanças Pessoais (Advisor em Finanças Pessoais da Fipecafi) e disse: é isso o que preciso! Sem concorrência no mercado de cursos de pós-gradução nessa área, para lá eu fui.

A pós durou um ano e meio. E se por um lado deixou um pouco a desejar – afinal é difícil montar um curso sobre um assunto tão novo e ainda engatinhando no Brasil, faltam até profissionais especializados e ao mesmo tempo com o dom de ensinar -, por outro me deu boa parte do conhecimento (ou pelo menos me introduziu a ele) que um planejador financeiro precisa ter. Sem dúvida valeu a pena.

Foi também na pós que conheci o Fabiano – não vou aqui bajulá-lo muito, primeiro por que estou no blog dele e não quero que me taxem de puxa-xxxx, e segundo por que ele não precisa disso. E há dois anos nós formamos o que hoje chamamos de “parceria” (na verdade o relacionamento é mais de mentor e discípula) E foi essa parceria que me deu experiência –  essencial em qualquer atividade para se ter segurança. Com conhecimento, experiência e segurança pude avançar no trabalho oferecido aos meus clientes e logo estava esboçando meus primeiros planejamentos financeiros.

Fazia também parte da minha meta de qualificação como planejador – e acredito que deva fazer parte da meta de todos que  pretendam entrar nessa profissão –,passar no exame do CFP (Certified Financial Planner). Para quem não sabe ou ainda não entendeu bem, o CFP é o selo internacional de qualidade dos planejadores. Ele é dado pelo IBCPF, instituto nacional que congrega os profissionais da área.

Até antes da última prova no final de novembro havia pouco mais de 400 profissionais com a qualificação. Para ser um CFP o profissional além de passar por uma prova rigorosa de conhecimento, deve também comprovar experiência na área, aderir ao código de ética e manter uma educação continuada. Se para muitos o selo não é necessariamente uma garantia de capacitação profissional, ele é, no mínimo, uma maneira de separar as pessoas com conhecimento, ética e profissionalismo dos palpiteiros de plantão – e olha que essa profissão é um prato cheio para eles!

O CFP então é a cereja no bolo. E para me preparar para ele – já sabendo que a prova realmente entraria a fundo em assuntos que na pós poderiam ter passado de leve – me inscrevi em um dos cursos preparatórios disponíveis. Existem dois ou três em São Paulo. Realmente não poderia ter acertado melhor. O curso consolidou em 5 grandes apostilas todos os assuntos da prova. E consolidou na minha cabeça aquilo que havia visto na pós e que aprendera na pratica.

Estudar para a prova do CFP me fez ver e rever até entender os assuntos que não estão no meu dia a dia, mas que são fundamentais para uma analise abrangente dos clientes. Fez finalmente cair a ficha sobre muitos assuntos. Foi por isso que, como disse no início desse relato, no dia da prova eu não estava nervosa. Estava sim tranqüila afinal, através da preparação para a prova, eu havia adquirido um conhecimento impagável para a minha profissão. Passar no exame deveria então ser uma conseqüência natural. E foi!

Cristiana Baptista é jornalista, economista, MBA Advisor em Finanças Pessoais e idealizadora do site www.personalbrasil.com.br , hoje atua como Planejadora Financeira Pessoal independente e está entre as mais recentes candidatas a CFP no Brasil.

3 ideias sobre “Final de ano e missão cumprida!

  1. LILIANE VINHAES DOS SANTOS

    Gostaria muito de um telefone de contato seu pq necessito de uma consultora financeira de confiança como vc. Aguardo a resposta por E-mail.

    Um grande abraço:
    Liliane

  2. Alysson

    Olá, boa noite. Preciso de uma orientação sua, estou estudando muito para conquistar a CPF, porém tenho dificuldades para compilar as matérias e conteúdo pela net, já que a maioria dos tópicos do plano de estudo que encontro disponibilizados na web, de forma gratuita peca na qualidade, sinto que é muito superficial…Gosto de estudar de forma independente, daí minha necessidade de adquirir postilas mais propriamente focada na certificação CFP. Pode me ajudar nesse sentido? Ou me indicar alguém que pudesse emprestar ou vender esses materiais de estudo? Pois também não posso sair da minha cidade para fazer os cursos…

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