Tudo é uma Questão de Prazo

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O prazo é uma questão das mais importantes e uma das mais negligenciadas em nosso trato com a vida, notadamente na área financeira.

Ele faz toda a diferença entre pobres e ricos, como muito bem nos demonstram Robert Kiyosaki e Sharon Lechter na série de livros “Pai Rico Pai Pobre” e também, antes ainda, o senhor Og Mandino, no clássico “O Homem Mais Rico da Babilônia”.

Qualquer pessoa, por mais humilde que seja e em qualquer situação financeira, pode se transformar em alguém com uma situação estável desde que tenha duas características:

DISCIPLINA;
PACIÊNCIA.

Disciplina para seguir seus planos de poupar um percentual de seus rendimentos, não importando as situações momentâneas ou as tentações de consumo que as propagandas tão bem nos passam.

E paciência, uma vez que os resultados dessa forma disciplinada de agir só aparecem no longo prazo.

Manter-nos nessa postura decididamente não é fácil, principalmente se levarmos em conta os estímulos que nossa sociedade voltada ao consumo nos dá a cada segundo e levando-se também em conta outro fator: O consumo nos dá prazer, embora momentâneo, enquanto a disciplina não nos devolve nenhuma sensação agradável. Ao menos não por um bom tempo.

No entanto, basta verificarmos com um pouco de atenção como se calculam juros (ou rendimentos) para percebermos a importância da decisão de termos as duas qualidades mencionadas. A fórmula para o cálculo é a seguinte (não se assuste, é mais fácil do que parece):

Vf = Vp X (1+Tx)ⁿ onde:

Vf: Valor futuro; Vp: Valor presente; Tx: Taxa de juros; n: prazo ou número de períodos

Note que a taxa de juros, pela qual todos nós discutimos, é utilizada em multiplicação, mas o número de períodos, ou seja, o prazo, é um exponencial!!!

Para se ter uma idéia prática do que isso quer dizer, veja os seguintes exemplos:

Um executivo economiza mensalmente R$ 3.000,00 e faz isso em uma aplicação cuja taxa é de 2% ao mês, por 5 anos. Ao final, ele terá pouco mais de R$ 350.000,00.

Em contrapartida, sua secretária, que tem um salário muito menor, mas que tem a prática de economizar há 20 anos, aplica apenas R$ 350,00 (pouco mais de um décimo) e com juros de apenas 1% (metade). Ao final do seu período, ela terá aproximadamente os mesmos R$ 350.000,00.

Como vimos, o prazo é preponderante. Os demais fatores são meros coadjuvantes no processo. A fábula de La Fontaine (formiguinha e cigarra) já ilustrava esse ponto de vista.

Se quisermos extrapolar o raciocínio, isso vale também para a felicidade, em diversas filosofias: Quando focamos a felicidade instantânea, ou de curto prazo, o prazer é imediato, mas a sensação de vazio permanece. Já quando focamos as realizações de longo prazo, a felicidade e nosso bem estar são perenes.

Tão verdadeiro quanto isso são nossas negociações comerciais: Se pressionarmos um fornecedor em demasia, podemos obter um bom corte de custos, no entanto, ele logo procurará outros clientes ou nos oferecerá mercadorias e serviços de qualidade inferior.

Com nossos clientes, da mesma forma, temos que ter uma perspectiva de longo prazo, na qual podemos momentaneamente perder, para, em um prazo maior, sermos beneficiados com sua fidelidade, compensando em muito a perda inicial.
Portanto coloquem toda a atenção ao prazo de seus projetos de vida.

São eles, com a disciplina e a paciência requeridas, que irão determinar seu grau de sucesso, e porque não, de felicidade, no futuro.

Controlem os impulsos e pensem nas recompensas. Esse é um dos maiores segredos do sucesso.

Valter Police Junior é engenheiro com MBA em Planejamento Financeiro Pessoal pela FIPECAFI, profissional CFP e atua como palestrante e consultor independente de finanças pessoais

Uma ideia sobre “Tudo é uma Questão de Prazo

  1. Marisa Dornelles

    Tenho lido e assistido a toda informação sobre Planejamento Financeiro e acredito que um dos pontos mais importantes da profissão é justamente esta parceria e confiança adquirida com o cliente no longo prazo. Muito bom o artigo, didático e coerente.

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