Planejador financeiro ganha espaço com expansão de milionários no país

Compound interest

Quando conquistou o título de planejador financeiro pessoal (CFP, na sigla em inglês), Fabiano Calil evitava divulgar o fato a seus clientes. “Confundia mais do que explicava”, diz o profissional dono de uma consultoria que leva seu nome. Em 2003, ele fez parte da primeira turma a obter o título no país, concedido pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Atualmente, a sigla está em seu cartão de visitas e Calil só contrata profissionais que tenham a certificação para se juntarem a ele na empresa . “Hoje, há pessoas mais preocupadas com suas próprias finanças e o CFP já é reconhecido como selo que dá garantia ao cliente de que se trata de um profissional idôneo e competente”.

O consultor Fabiano Calil foi um dos primeiros a obter o título de CFP e só contrata profissionais com a certificação

Quando conquistou o título de planejador financeiro pessoal (CFP, na sigla em inglês), Fabiano Calil evitava divulgar o fato a seus clientes. “Confundia mais do que explicava”, diz o profissional dono de uma consultoria que leva seu nome. Em 2003, ele fez parte da primeira turma a obter o título no país, concedido pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Atualmente, a sigla está em seu cartão de visitas e Calil só contrata profissionais que tenham a certificação para se juntarem a ele na empresa . “Hoje, há pessoas mais preocupadas com suas próprias finanças e o CFP já é reconhecido como selo que dá garantia ao cliente de que se trata de um profissional idôneo e competente”.

A procura por planejadores financeiros tem crescido na onda da expansão do número de milionários no país. O Boston Consulting Group apontava um total de 190 mil brasileiros com mais de US$ 1 milhão em 2007. Segundo estimativa do Barclays, serão 675 mil os milionários no país em 2017. “Essas pessoas buscam um aconselhamento crítico sobre suas finanças pessoais, que não é o olhar de um sócio ou esposa”, comenta Calil.

O certificado não é obrigatório para o exercício da profissão, mas é uma distinção que atesta ao profissional sua capacidade de atender a certos critérios, afirma Giuliano DeMarchi, diretor do IBCPF. O CFP existe em 23 países, por onde se espalham 110 mil profissionais. Inicialmente, foram as áreas de private dos bancos brasileiros as primeiras a exigir de seus funcionários a certificação, atestando a eles a possibilidade de lidarem com toda a vida financeira do cliente.

É nos bancos, portanto, que estão mais de dois terços dos 255 profissionais já certificados. Para conquistar o direito às siglas, é preciso comprovar experiência com as finanças de pessoas físicas, lidando com questões tributárias, de planejamento sucessório, previdência, em controles de risco e ético. Planejador financeiro, portanto, não é um profissional só ligado a investimentos.

Duas empresas que oferecem cursos específicos para capacitar os profissionais ao exame do CFP: FK Partners e BankRisk. Os seis exames já aplicados, porém, são guardados a sete chaves e não há, portanto, como um concorrente ter noção clara sobre o teor das provas. Os critérios são rígidos e não há idéia de se abrandar para expandir rapidamente o número de certificados, diz DeMarchi.

Cerca de 35% dos concorrentes apenas são aprovados em cada edição do exame. A divulgação dos reprovados não é pública, mas os profissionais podem ser aprovados parcialmente e, em seguida, testar-se novamente só nas especificações em que foi reprovado. Além dos cursos específicos para a conquista do CFP, crescem também aqueles que não têm o título como finalidade específica, mas formam os planejadores.

Em agosto, começa a segunda turma do MBA de “advisor” em finanças pessoais da Fipecafi, que tem inscrições abertas. Alexandre Assaf Neto, CFP e professor do MBA da Fipecafi, conta que criou um curso similar há cinco anos, mas o mercado ainda não entendia a nova profissão. Agora, o curso tem intensa procura, principalmente por profissionais mais experientes, que buscam diferenciação. “Está mais fácil para o cliente deles entender a especialização.”

O diretor do IBCPF não tem dúvidas de que o mercado de planejadores financeiros está em franca expansão. “Há alguns anos, poucos sabiam o que era um “family office”. Hoje eles estão difundidos entre as pessoas de maior renda”, destaca DeMarchi. “E, no futuro, esse não será um serviço só acessível aos milionários”, completa. Os private banks foram os grandes responsáveis por difundir a importância do CFP no mercado, diz Calil, de 35 anos. “Hoje, quando os clientes me conhecem, sabem que não sou um “ninguém””.

Os CFPs ainda estão concentrados no Rio e em São Paulo. Mas já há profissionais certificados nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Do total, mais de 60% têm formação além da graduação.

O maior desafio do CFP ainda é cobrar pelos seus serviços, principalmente quando dissociado do pacote de benefícios de um private bank. “Nos EUA, as pessoas já procuram o CFP e pagam o valor mais justo”, explica Fernando Pureza, à frente da área de formação dos profissionais da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid). A Anbid é entidade sócia e patrocinadora do IBCPF.

A receita do planejador é originada basicamente de duas formas. A primeira por taxa fixa, combinada entre profissional ou instituição que oferece o serviço e o cliente. A segunda, por uma taxa sobre o patrimônio total administrado. “Independentemente de como a cobrança é feita, acredito ser importante que haja transparência sobre como o profissional é remunerado”, diz DeMarchi.

Calil cobra R$ 1.070, pela sua hora de consultoria, em casos rápidos, ou negocia percentuais anais com seus clientes, conforme o patrimônio, não sendo essa taxa, porém, inferior a R$ 2 mil. “Já consigo pagar as contas do meu escritório muito bem”, diz.

Caio Fragata Torralvo, CFP mais jovem, diz ainda que não sobrevive apenas da consultoria que presta. Aos 28 anos, ele cursa um mestrado e também dá aulas na FIA, além de escrever livros e dar palestras sobre finanças pessoais. Ele conta que já foi contratado por empresas para falar aos seus funcionários sobre o tema. “As pessoas já entendem que manter as finanças em ordem melhora o desempenho profissional”, diz.

No futuro, procurar um planejador financeiro pode ser como consultar um advogado, quando se precisa de assessoria legal; um médico, quando se está doente; um psicólogo, quando necessário; ou um personal trainer para melhorar a saúde, prevê DeMarchi, do IBCPF.

Uma proteção para o cliente e motivo de temor para os profissionais é o fato de IBCPF ser uma entidade que atende e apura reclamações de clientes contra os CFPs. “Se houver indício de transgressão, apuração e punição são feitas pela entidade e tornadas públicas a todos”, diz Pureza.

A última prova para obtenção do CFP foi aplicada no dia 22 e contou com 160 concorrentes. Os aprovados no teste iniciarão o processo de certificação ainda neste mês, para serem graduados em setembro. Depois de receber o CFP, porém, o planejador tem de se manter atualizado e freqüentar palestras, eventos e escrever artigos, que lhe concedem créditos necessários para manter o título.

Dessa forma, assegura-se a educação continuada e a freqüente atualização do profissional, explica Pureza. Como muitos privates já certificaram seus profissionais que lidam com os clientes, nas últimas provas foram percebidos mais concorrentes de “family offices”, advogados e consultores independentes.

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